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Descubra como era o Natal na Alemanha Nazista em 15 fotos e alguns relatos intrigantes


"A essência da propaganda é ganhar as pessoas para uma ideia de forma tão sincera, com tal vitalidade, que, no final, elas sucumbam a essa ideia completamente, de modo a nunca mais escaparem dela."
Joseph Goebbels

A história da Alemanha Nazista já é famosa por ser repleta de detalhes peculiares - alguns apenas curiosos, outros extremamente assombrantes - isso se deve principalmente pelo pesar ideológico inédito que se tomou naquela experiência ultra-nacionalista. Antes de mais nada, é necessário compreender o contexto e as intenções que levaram à formação de um pensamento político tão contagiante, seja pelo amor ou pelo ódio.

Observar a postura tomada por Hitler em algumas ocasiões estratégicas pode ser um caminho para entender a lógica por trás do pensamento nazista. A celebração do Natal é um exemplo categórico de impasse ideológico que deveria ser resolvido: a festa do nascimento de Jesus Cristo, figura de clara origem judaica, era uma afronta à doutrina racista difundida pela propaganda nazista. A solução do Terceiro Reich, ao invés de eliminar a tradição tão fortemente enraizada na cultura nacional, foi substituir as referências cristãs por elementos pagãos da cultura nórdica e da simbologia do partido. As imagens presentes neste artigo são originárias de duas fontes: o acervo histórico da revista estadunidense Life, que comprou diversas coleções de fotógrafos do Reich; e uma exposição (que depois resultou em um livro) desenvolvida com base no trabalho de pesquisadores do Centro de Documentação Nacional-Socialista da cidade de Colônia, no oeste da Alemanha.

"Celebrar o nascimento de um judeu era impensável para os nazistas. Portanto, decidiram corromper o significado do Natal."
Jürgen Müller, historiador alemão

(Hugo Jaeger/Getty Images)
A ciência viveu uma explosão de entusiasmo nas primeiras décadas do século XX. Diversas práticas anteriormente realizadas sem qualquer rigor ou metodologia agora passavam pelos moldes acadêmicos. História, Antropologia, Psicologia e outros campos das Ciências Humanas eram novidades tanto quanto a chamada Eugenia, também conhecida como darwinismo social, uma suposta ciência baseada numa visão "industrial" da Teoria da Evolução proposta pelo biólogo Charles Darwin. Com um ponto de vista modernista, os adeptos da Eugenia apoiavam o uso de métodos para manipular e "acelerar" o processo de evolução da espécie humana. 


Pessoas consideradas geneticamente inferiores deveriam ser eliminadas ou segregadas sistematicamente das demais, no que incluía deficientes físicos e mentais, etnias não-europeias, doenças hereditárias e tantos outros elementos fora do padrão desejado. Assim, os eugenistas esperavam que se desenvolvesse uma "raça superior" de humanos com traços genéticos cientificamente selecionados.
Festa de natal com membros do alto comando nazista, Munique, 1941. (Hugo Jaeger/Time & Life Pictures/Getty Images).


(Hugo Jaeger/Getty Images)
Diferente do que se pode imaginar, não apenas a Alemanha, mas praticamente todo o mundo ocidental, inclusive Estados Unidos e Inglaterra, flertavam com a ideia de "construir uma sociedade superior". Até mesmo o Brasil teve adeptos disseminadores dessa proposta de "aperfeiçoamento", entre eles o escritor Monteiro Lobato.

"Precisamos lançar, vulgarizar estas ideias. A humanidade precisa de uma coisa só: póda. É como a vinha."
Monteiro Lobato (1926)


Perceba a importância de atribuir data à citação do escritor brasileiro (7 anos antes da chegada do Partido Nazista ao poder na Alemanha, quase 20 anos antes da revelação dos horrores do Holocausto), ela deixa pistas para entender como se deu a falência da proposta da Eugenia: as atrocidades realizadas em seu nome durante a Segunda Guerra Mundial. Foi nesse contexto que os inimigos de Hitler começaram a buscar razões para se diferenciar do Estado Nazi-fascista, observando com um olhar mais crítico algumas de suas práticas. 


Através da Eugenia os Aliados procuraram condenar as potências do Eixo, atribuindo razões ideológicas para convencer a população de que havia a obrigação moral de vencer a guerra. A perseguição dos judeus e outras minorias foi divulgada como um crime contra a humanidade, entretanto, a opinião pública por muito tempo foi levada a crer que havia um certo "exagero" por parte do que se divulgava pela imprensa aliada. Mas com o fim da Segunda Guerra e a revelação dos campos de concentração e suas milhões de vítimas,  o mundo entrou em estado de choque, fortalecendo o discurso baseado na defesa da ética na ciência.  Era o fim da Eugenia e de outras vertentes científicas questionáveis, como o uso de cobaias humanas na Medicina. 

Festa de natal com membros do alto comando nazista em Munique, Alemanha, 1941. Era o mês de dezembro mais angustiante possível para as forças armadas alemãs, que amargavam a cada dia violentas baixas no front oriental, sofrendo diante do temido "General Inverno" russo. (Hugo Jaeger/Time & Life Pictures/Getty Images).

Esclarecida a fundamentação "científica" pela qual se baseava o partido, deve-se explorar a intensão de construção politico-ideológica por trás das medidas que foram adotadas pelos nazistas. A formação de uma "sociedade superior" deveria ser gradual, eliminando lentamente as influências indesejadas presentes em sua cultura. A coexistência com os "indesejáveis" seria cada vez menos tolerada e, ao passo que a doutrinação avançava, as leis segregacionistas se ampliavam. 

Nas escolas se ensinava às crianças que os deficientes eram improdutivos e representavam um peso a ser carregado pelo povo alemão. Até mesmo em aulas de matemática pedia-se para "calcular o prejuízo de conviver com improdutivos". Nas cervejarias circulavam folhetos em que os comerciantes judeus eram referidos como traidores e inimigos da nação, encorajando o boicote aos seus produtos e serviços. Com o tempo, espaços e serviços públicos passaram a ser proibidos para judeus, negros e outras minorias, o casamento entre "raças diferentes" já não era mais permitido. Tudo de uma maneira muito gradual, em que se plantava o ódio sem que isso parecesse um traço genocida.

O trágico fim das populações perseguidas pelo Estado Nazista já é conhecido. Mas o tema deste artigo é outro, a proposta é entender como Hitler pretendia dissolver a talvez mais consolidada referência semita na cultura alemã. Afinal, como o nazismo deveria lidar com uma religião baseada em um deus de uma "raça inferior"? Como desligar o cristianismo após a milenar convivência e construção mútua da história de seu povo? A resposta era a já usual gradualidade utilizada para tantos outros fins. 

"É inconcebível que a essência mais profunda do nosso Natal seja produto de uma religião oriental"
Friedrich Rehm, propagandista alemão (1937)

Enquanto a religião cristã permanecia inabalável, a alternativa era explorar e disseminar traços da cultura pagã nórdica no dia-a-dia da população. As cerimônias religiosas eram cada vez mais descaracterizadas, e isso se tornava escancarado no período natalino. Era a festividade mais popular do ano, cheia de adornos, canções e tradições. Assim, a propaganda oficial tratou de substituir cada referência cristã, desde trechos de músicas até os adornos presentes nas árvores. A suástica tomava o lugar da Estrela de Davi, e as referências ao paganismo (já presentes na celebração do Natal, que é um sincretismo romano) ganhavam destaque.

Decoração e presentes de Natal para serem distribuídos entre os pobres na Alemanha Nazista, 1935. Note o cartaz na parede à direita. (Autor desconhecido/Arquivo Federal Alemão).

(Von wegen Heilige Nacht)
Sob a supervisão de nomes do alto escalão da propaganda nazista, como Heinrich Himmler (enquanto Ministro do Interior) e o inconfundível Ministro da Propaganda, Joseph Goebbles, o governo procurou orquestrar as festividades fornecendo adornos com a imagem de Hitler, réplicas de granadas e suásticas, reelaborando canções tradicionais natalinas e até mesmo rebatizando o Natal com o nome de Julfest (em referência à ancestral tradição germânica de culto à luz, durante o solstício de inverno, próximo a 21 de dezembro).

"É claro que a propaganda tem um propósito. Contudo, este deve ser tão inteligente e virtuosamente escondido que aqueles que venham a ser influenciados por tal propósito nem o percebam."
     Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda da Alemanha Nazista

Eles também buscaram redirecionar o foco do Natal de Cristo para a família, substituindo toda simbologia em torno do seu nascimento na manjedoura em Belém para figuras modelo de uma tradicional família alemã, com bebês angelicais e vestimentas típicas, sempre realizando a releitura de cenas do Natal cristão.  

Foto encontrada em um cartão postal natalino em que Hitler aparece trocando presentes com algumas crianças em Estetino, cidade na fronteira entre Alemanha e Polônia, 1939. (Autor desconhecido).

O estudo dos impactos do nazismo sobre a celebração natalina foi realizado com base em um vasto acervo documental, no que inclui uma extensa coleção privada de elementos presentes em cerimônias oficiais do governo: decorações para as árvores, canções modificadas pela propaganda, catálogos de presentes e muito mais. O trabalho deu origem a um livro e uma exposição aberta ao público, o que permitiu observar o choque de realidade sobre idosos alemães que viveram aquele momento histórico, numa mistura de nostalgia e pavor sobre uma manipulação escancarada sob o ponto de vista externo, mas imperceptível aos olhos imersos de quem viveu sob o regime.

"Geralmente, os visitantes mais idosos ficam primeiro tocados pelas lembranças infantis que os objetos reavivam. Mas gradualmente veem o propósito por trás das coisas, algo de que não se deram conta quando eram jovens. E isso os assusta: perceber o uso que se fazia das coisas, e como suas crenças de criança eram usadas para os fins de propaganda."
Barbara Kirschbaum, responsável pela exposição

O livro, Von wegen Heilige Nacht! (sem versão na língua portuguesa), ainda esclarece como a Igreja Católica, mesmo indignada com o visível esforço de descristianização do Natal, tinha pouca relevância no país desde a década de 1930, sendo raramente citada na documentação da época. E termina comentando sobre o fim da Segunda Guerra, onde o Natal de 1944 perde o sentido doutrinador e assume a condição de luto pelos rumos irreversíveis que a guerra já tomava. 

A propaganda era onipresente nas festividades nazistas, o farto acervo da exposição contém centenas de exemplares que tocam a memória de quem viveu o regime e exploram o imaginário dos mais jovens. (AFP/Getty Images).

Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda nazista, com sua filha em uma cerimônia natalina em Berlim, capital alemã, 1935. (Autor desconhecido/Getty Images).

Adolf Hitler junto a outros oficiais nazistas durante a celebração natalina em Munique, Alemanha, 1941. (Hugo Jaeger/Time & Life Pictures/Getty Images).

Nesta outra fotografia da cerimônia de 1941 é possível identificar, além de Hitler, o segundo homem na hierarquia do Terceiro Reich, o Marechal Hermann Göring, à extrema esquerda. (Hugo Jaeger/Time & Life Pictures/Getty Images).


Essa fotografia é da mesma cerimônia das fotos coloridas da Revista Life, provavelmente foi registrada por outro fotógrafo. Note a fisionomia dos oficiais, será possível relacionar com os péssimos resultados no front oriental naquele gelado mês de dezembro de 1941? (Autor desconhecido/Getty Images).

Cerimônia de Natal com oficiais nazistas em 1944. (Autor desconhecido/Deuthes Historisches Museum).

A decoração presente na exposição dá um vislumbre obscuro das celebrações natalinas no Terceiro Reich (AFP/Getty Images).



Bruno Henrique Brito Lopes 
Graduando em História pela Universidade Católica de Pernambuco. 

O Cangaço: 12 fotos e 7 fatos impressionantes sobre um Brasil fora da lei

Zé Sereno e outros três cangaceiros de seu bando, 1936. (Benjamin Abrahão/Acervo Abafilm).

Essa é uma parte do país que por séculos se manteve oculta, um Brasil quase mitológico de tamanha particularidade. À própria sorte desde que se tem notícia, onde o Estado só comparece para cobrar tributos e a escassez está sempre por perto. Cidades e minúsculos distritos são controlados por figuras que muito bem se assemelhariam a senhores feudais, os coronéis, como eram conhecidos, eram autoridade máxima. Autoridade quase sempre incompatível com as péssimas condições de vida do sertão nordestino.

Foi nesse contexto que surgiu o Cangaço. Um banditismo digno dos clássicos filmes de faroeste, onde criminosos itinerantes driblavam a lei atravessando fronteiras estaduais. Sempre acompanhadas de sangue,  as histórias do Cangaço remetem a pessoas muito humildes que, por um motivo ou outro, se recusaram a seguir a inércia de permanecer sob controle dos coronéis, optando por um caminho incerto que tratava com especial truculência aqueles tidos como seus inimigos. 

Mas o Cangaço não possuía apenas inimigos, entre fazendeiros estrategicamente aliados e outros pobres sertanejos, a opinião pública se manteve dividida. Se os miseráveis insatisfeitos com os abusos dos coronéis se sentiam representados na contestação desaforada daqueles homens e mulheres fora da lei, os frequentes requintes de crueldade e frieza garantiam o medo e a tensão permanente nas cidades por onde passavam os bandos de cangaceiros. 


Maria Bonita, mulher de Lampião, posa para o fotógrafo libanês Benjamin Abrahão junto aos seus dois cães, Guary e Ligeiro, 1936. (Benjamin Abrahão/Acervo Abafilm).

#1 - O poder absoluto dos coronéis no Sertão. 

Desde os tempos do Império, a falta de interesse do Estado pelo Sertão obteve efeitos sangrentos na região. Entre os mais devastadores episódios de clara resposta à situação negligente e única presença para cobrança de tributos, destaca-se a Guerra de Canudos e o fenômeno de banditismo conhecido como Cangaço. Ambas as experiências possuíam em sua essência o sentido de contestação das figuras conhecidas como coronéis.

Em meio a uma vasta extensão territorial de pouco interesse público, o Império instituiu a titulação de Coronéis da Guarda Nacional para grandes latifundiários Brasil a dentro. Na prática, o governo passou a legitimar uma relação de domínio que já se fazia efetiva desde os tempos coloniais. Os coronéis eram, quase sempre, pessoas que possuíam total influência na atividade econômica de cidades inteiras. O que representava poder absoluto em uma região onde a opção era se submeter ou sucumbir.

Os coronéis eram homens acima da lei. A
lém da tradicionais forças policias, também submetidas aos seus interesses, eles tinham sua própria "polícia", eram capangas conhecidos como jagunços: figuras armadas que tratavam de fazer a guarda de terras, castigar e executar inimigos de seus chefes. Foi a truculência desses jagunços que deu origem à jornada de diversos cangaceiros motivados pelo desejo de vingança. 
Virgínio Fortunato, cunhado de Lampião, posa sorridente junto aos "cabras" e mulheres de seu bando para as lentes de Benjamin Abrahão, 1936. (Benjamin Abrahão/Acervo Abafilm).

#2 - A vida criminosa como alternativa à miséria e submissão. 

As condições naturais do Sertão são especialmente infavoráveis à vida humana. Os longos períodos de estiagem castigam seus habitantes através dos efeitos consecutivos que a falta d'água produz. O gado morre e as plantações ficam comprometidas, assim, famílias inteiras tentam se equilibrar num contexto de subsistência precária. Quando havia oferta de emprego, ou melhor, de trabalho, ela era ligada ao coronel da região, figura nem sempre louvável.

"Inteiramente só, o sertanejo é um homem abandonado a sua própria sorte, nada lhe resta senão a desesperança. Ou a rebeldia, que é um simples efeito de causas profundas, da ausência de justiça, analfabetismo, precariedade de comunicação, baixos salários, débil capitalismo e um lentíssimo desenvolvimento das forças produtivas."

Pensar nas autoridades da região como figuras de violência e senso de justiça similar aos dos temidos cangaceiros faz com que se compreenda melhor como tantos sertanejos optaram por esse caminho. A vida criminosa não era nada cordial, mas entre fugas e investidas, oferecia o poder de ter tudo aquilo que passava longe da realidade da maioria: ouro, respeito e mulheres (e sobre este último ponto, como é de se imaginar, o estupro era algo recorrente).


Corisco, o primeiro a esquerda, tendo ao seu lado a companheira Dadá e integrantes do seu grupo, 1936. (Benjamin Abrahão/Acervo Abafilm).

#3 - O sangrento preço da vida entre os cangaceiros. 

O vermelho é uma cor muito compatível com o trajeto do Cangaço, não apenas pelo coro de luta ou coragem, mas principalmente pelo sangue. Se entre os coronéis, representantes da lei no Sertão, a violência já era evidente, no Cangaço ela era uma assinatura. O traço hediondo da tradicional execução por sangramento era regido pelo punhal, introduzido em pontos vitais de suas vítimas. Para lidar com tamanha rotina, outra característica chamava atenção: a frieza aterrorizante. 

Ao passo que se comandava torturas e execuções, as histórias também falam dos cangaceiros como figuras musicais e risonhas. Como se a vida e a morte fosse (e era mesmo) parte do dia-a-dia daquelas pessoas. 

Já dizia o mítico Rei do Cangaço, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião:

"Três coisas eu trago de Pernambuco: dinheiro, coragem e bala."

Bem como a tradição oral transmite, em certa ocasião um sujeito estava cometendo incesto e foi flagrado por Lampião, o cangaceiro separou os dois irmãos e trouxe o rapaz para conversar. Ele falou para o homem que ele devia colocar os seus testículos dentro da gaveta e fechar com chave. Em seguida, Lampião colocou um punhal sobre o criado-mudo e disse "Volto em dez minutos, se você ainda estiver aqui eu te mato".

Assim se construiu uma lenda, e essa é só uma das histórias que se contam até hoje. 

O lendário cangaceiro Lampião posa para foto segurando uma edição de um dos jornais que costumava ler, "O Globo", 1936. (Benjamin Abrahão/Acervo Abafilm).

#4 - A opinião pública dividida entre amor e ódio.

Lampião já era uma lenda viva antes mesmo de sua vida ser documentado pelo corajoso jornalista sírio-libanês, Benjamin Abrahão.  Tratado pela polícia dos estados como uma verdadeira praga a ser exterminada, temido por onde passava, ainda assim ganhou a simpatia de muita gente. Virgulino tinha a confiança de gente de diversos setores da sociedade: coronéis, sertanejos e até mesmo a igreja, representada pelo inigualado Padre Cícero, a quem se deposita regionalmente o prestígio de uma santidade. 

A situação de considerável apoio da sociedade pode se amparar no senso de justiça em crítica à força oficial vigente. O respeitado historiador britânico, Eric Hobsbawn, em uma de suas obras (Bandidos/1969), apontou o Cangaço brasileiro como um exemplo claro do fenômeno do banditismo social, que se alinhava ao princípio de contestação, como um sentido primitivo de revolta. 

“O ponto sobre bandidos sociais é que eles são criminosos camponeses a quem o senhor feudal e o Estado enxergam como criminosos, mas que permanecem dentro da sociedade camponesa, e são considerados por seu povo como heróis, como campeões, vingadores, lutadores pela justiça, talvez até mesmo líderes de libertação e, em qualquer caso, homens para serem admirados, ajudados e apoiados. Esta relação entre o camponês comum e o rebelde, bandido e ladrão é o que faz o banditismo social interessante e significativo.”
Eric Hobsbawn

Volantes do estado da Bahia em registro de Benjamin Abrahão, circa 1936. (Benjamin Abrahão/Acervo Abafilm).

#5 - Volantes: a polícia especial dos estados treinada com as mesmas práticas dos cangaceiros.

Por décadas a República simplesmente amargou a inferioridade de suas forças diante do preparo e conhecimento preciso dos bandos cangaceiros. Equipados com cangas de madeira e utensílios metálicos (daí o nome cangaço: canga+aço), esses grupos eram compostos por homens (e também, muito raramente, mulheres) de invejável experiência de combate, sempre furtivos e ágeis.

Nas cidadelas invadidas, a polícia costumava ser ínfima e sem a menor condição para impedir investidas tão bem articuladas. Quando chegava algum reforço capaz de enfrentá-los, os cangaceiros simplesmente desapareciam em rotas de fuga que os levavam para outros estados, onde somente as forças policiais correspondentes poderiam atuar.

A reação dos estados foi precisa: responder na mesma moeda. Foram constituídas as chamadas forças volantes, o braço cangaceiro da polícia, formadas por homens (alguns deles até ex-cangaceiros) de preparo e práticas de combate idênticas às dos bandos criminosos. Assim, rotas de fuga, abrigos e investidas furtivas estavam mais sujeitas a falhas. 

O encontro de Abrahão com o bando de Virgulino, em foto tirada pelo cangaceiro Juriti. Da esquerda para a direita: Vila Nova, não identificado, Luís Pedro, Benjamin Abrahão (à frente), Amoroso, Lampião, Cacheado (ao fundo), Maria Bonita, não identificado, Quinta-Feira, foto de 1936. (Acervo Abafilm).

#6 - O jornalista libanês que documentou a vida dos cangaceiros.

Figura responsável pelos mais preciosos registros iconográficos do Cangaço, Benjamin Abrahão Botto conheceu de perto, por vários meses, a rotina de diversos bandos cangaceiros, inclusive os dos notáveis Corisco e Lampião. Ele foi por muitos anos secretário de Padre Cícero em Juazeiro do Norte, no interior do Ceará, até que com a morte do sacerdote em 1934, colocou em prática seu projeto mais ambicioso: filmar e fotografar Lampião e seu bando.

Se aproveitando da ligação de Lampião com Padre Cícero, Abrahão facilmente se aproximou do cangaceiro. Lampião era uma figura extremamente vaidosa, característica que o consolidava como Rei do Cangaço, se deixando acompanhar pelo jornalista. O material coletado ao longo de cerca de 2 anos (1936 e 1937) era de extrema preciosidade e foi recebido nas grandes metrópoles como um verdadeiro escândalo. O Cangaço era uma ofensa ao Estado Novo de Getúlio Vargas, que tratou de censurar e confiscar o registro de Benjamin. 

“As fotos e filmes de Benjamim eram um atestado da incompetência das forças policiais e uma afronta ao Palácio do Catete”
Frederico Pernambucano de Mello




O sírio-libanês Benjamin Abrahão trouxe a público relatos detalhados sobre a rotina e características dos bandos cangaceiros, o que pode ter sido nocivo à estratégia dos bandos, cada vez mais combatidos em esfera interestadual. Em menos de três anos a maior parte dos principais bandos foi desmantelada, inclusive com a execução de Lampião (1938) e Corisco (1940). O próprio Benjamin também teve seu fim em 1938 (dois meses antes da morte de Lampião e seu bando), vítima de nada menos que 42 facadas em um assassinato até hoje não esclarecido. Segundo o historiador Frederico Pernambucano de Mello, a mesma força que matou Lampião, matou Benjamin: o desmoralizado Estado Novo. 

“Antes que o Estado Novo espatifasse o sistema de poder do sertão, era alto negócio para qualquer fazendeiro comercializar com o cangaceiro. O Estado Novo acabou com esse colaboracionismo. A morte de Benjamin foi, sobretudo, uma queima de arquivo histórica.”
Frederico Pernambucano de Mello
Cangaceiro Barreira posa junto à cabeça de seu ex-companheiro de bando, Atividade, como prova de lealdade à volante. 

#7 - Um cerco que se fechava: a falência dos bandos e o fortalecimento do combate ao cangaço.

Com o passar dos anos, a forma que o Estado tratava o Cangaço era cada vez mais madura. A segunda metade dos anos 1930 foi especialmente difícil para os bandos cangaceiros. Um a um, os criminosos iam sucumbindo ou se entregando em troca da anistia. O marco do fim dos tempos do Cangaço foi a emboscada que executou Lampião, Maria Bonita e diversos membros de seu bando. Suas cabeças foram expostas ao público em muitas cidades do Sertão nordestino.

“Naquela época, Lampião mobilizava grossos capitais. Travava com coronéis da região que financiavam seus roubos e recebiam parte do lucro. Seu bando era a imagem do sucesso da organização fora da lei."
Frederico Pernambucano de Mello

O fim do Cangaço foi causa direta da insatisfação com tamanha desmoralização do Estado Novo causada pelas imagens de Abrahão. Não só como atividade marginal, mas também como exemplo escancarado da corrupção de coronéis colaboradores, o Cangaço era uma afronta a Getúlio Vargas e sua proposta ideológica. E sistematicamente pagou o preço da visibilidade que adquiriu.

Cadáver do cangaceiro Cirilo de Engrácia, morto por civis e usado como exemplo pela volante alagoana. A cabeça de Cirilo já havia sido decepada, foi recolocada para a foto. 1935. (Autor desconhecido/Acervo Sociedade do Cangaço).

Cabeças cortadas de membros do bando de Lampião, incluindo o próprio e sua parceira, Maria Bonita, mortos em uma emboscada em Porto da Folha, Sergipe. Elas foram expostas como troféu na escadaria da Prefeitura de Piranhas, no estado de Alagoas, este episódio simbolizou o fim dos tempos áureos do Cangaço. Foto de 1938 (Autor desconhecido/Acervo Sociedade do Cangaço).


Cabeças dos cangaceiros expostas em Santana do Ipanema/AL, 1938. (Autor desconhecido/Acervo Sociedade do Cangaço).

O médico legista Charles Pittex segura as cabeças mumificadas de Lampião e Maria Bonita, elas ficaram expostas por muitos anos na Faculdade de Medicina da Bahia, foto de 1939. (Autor desconhecido).

Fontes:
HOBSBAWM, E.J. Bandidos. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1969.
MELLO, Frederico Pernambucano. Guerreiros do sol – violência e banditismo no nordeste do Brasil. São Paulo: A Girafa Editora, 2004.
http://cebes.com.br/2014/07/a-historia-do-odio-no-brasil-por-fred-di-giacomo/
http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?id=1472857&tit=O-cangaco-segundo-Graciliano-Ramos
http://acervo.oglobo.globo.com/fotogalerias/a-morte-de-lampiao-9394818
http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/um_sertanejo_das_arabias.html
http://www.ufrgs.br/gthistoriaculturalrs/marcosclemente.html
http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,iconografia-do-cangaco-traz-revelacoes-sobre-lampiao,869874
http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/sobrecultura/2013/05/entre-deus-e-o-diabo-1
http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL703549-5598,00-CONHECA+AS+SEIS+PRINCIPAIS+LENDAS+SOBRE+LAMPIAO.html

Bruno Henrique Brito Lopes 
Graduando em História pela Universidade Católica de Pernambuco. 

O Mais Longo dos Dias, A Virada da Frente Ocidental - Os Desembarques da Normandia, 1944

"Soldados, Marinheiros e Pilotos das Forças Aliadas Expedicionárias: Vocês estão prestes a embarcar em uma grandiosa Cruzada, para a qual treinaram por muitos meses (...) os olhos do Mundo estão voltados para vocês. As esperanças e preces dos povos amantes da liberdade estão com vocês."

O trecho acima foi retirado do discurso escrito pelo General Eisenhower, chefe da Força Expedicionária Aliada no Ocidente, e entregue à todos os soldados, marinheiros e pilotos que participariam da maior operação anfíbia de toda a História Militar, a Operação Overlord (Suserano), mais conhecida como "O Dia D"

Soldados norte-americanos desembarcando na praia de Omaha, às 7 horas da manhã (horário local) de 6 de Junho de 1944.
 
4ª leva de soldados norte-americanos desembarcando nas praias da Normandia, para reforçar as unidades aliadas que, nesse ponto, já haviam levado a luta para além das praias.
 
O "Dia D", por alguns historiadores, é considerado o ponto alto da guerra, mostrando definitivamente que os alemães estavam na "beira do precipício", enfrentando, novamente, uma guerra em duas frentes.
 
Um plano de invasão à Europa Ocidental, transformada por Hitler na famosa "Fortaleza Europa", estava sendo planejado e desenvolvido desde fins de 1943 e início de 1944, quando as forças anglo-americanas começaram os desembarques no litoral da África (Operação Tocha) e os desembarques na Sicília e no Sul da Itália (Operação Husky), sendo essas operações consideradas "testes", já que foi a primeira vez em quem forças anglo-americanas sincronizavam operações de desembarque desde o início da guerra.

Mapa tático mostrando os pontos de desembarque das forças anglo-americanas durante a Operação Tocha - Novembro de 1942, que se finalizaria com a tomada da Tunísia em 1943.


Mapa da Sicília durante a Operação Husky, a Invasão da Itália, Julho de 1943.

Assim, com esses "testes" já provando que uma operação anfíbia em larga escala e utilizando-se várias forças militares distintas coordenadas por um Comando Central, já em 1943, logo após a conferência em Casablanca, Marrocos, foi decidido a inicialização do Plano Cossac, o Desembarque de forças aliadas na Costa ocidental da Europa, abrindo uma 2ª Frente definitiva contra os alemães, na tentativa de acabar com a guerra mais cedo e diminuir a pressão sobre o Exército Vermelho, na Frente Oriental.

A invasão da França começou a ser planejada pelo então Chefe de Equipe do Comando Supremo Aliado, General Sir Frederick Morgan, levando em conta as ações anglo-americanas no Norte da África e na Itália e também aprendendo com os erros cometidos no desastroso ataque ao porto fortificado de Dieppe, no norte da França (operação de fins de 1942, onde forças britânicas e canadenses desembarcaram em praias francesas para "testar" as defesas alemãs, e acabou sendo um desastre).


Equipamento e soldados britânicos perdidos durante o Ataque a Dieppe, Norte da França, Agosto de 1942.

O plano Cossac original foi a base para a Operação Overlord. Ele visava um ataque de duas esquadras, uma vinda diretamente dos Estados Unidos e outra dos portos ao sul da Inglaterra. Essas forças atacariam a Normandia, um dos setores mais "fracos" da Fortaleza Europa, e o desembarque nas praias teria os flancos protegidos por tropas paraquedistas britânicas e norte-americanas, que seriam jogadas atrás das linhas inimigas para controlas pontes, destruir ou capturas pontos fortes na retaguarda alemã e "atrapalhar" ao máximo que reforços alemães alcançassem as praias.

Pas-de-Calais foi rejeitado como local de desembarque pois e o ponto mais próximo do litoral da Inglaterra, levando os alemães a concentrarem a maioria de suas tropas nesse setor. A Normandia se manteve como a escolha central como teatro de operações.

 Mapa da Operação Overlord e o "caminho" que as forças aliadas tomaram após os desembarques.

Tudo corria como o planejado, com apenas algumas mudanças práticas sendo feitas no Plano Cossac original (tornando-o mais com a Operação Overlord que conhecemos hoje). A única coisa que ainda atrapalhava os planos de desembarque aliados era o Clima. O clima no Mar do Norte e no Canal da Mancha sempre foram um problema nas programações e desenvolvimentos de desembarques militares. 

Por conta do clima, a invasão fora adiada e adiada, desde Março de 1944. Por conta desses adiamentos, o perigo que espiões e aviões de reconhecimento alemães vissem o tamanho da frota e das forças terrestres que se concentravam no sul da Inglaterra fez com que o prazo final da invasão fosse jogado para Junho de 1944. Se não ocorresse em Junho, só ocorreria em 1945.

Tudo estava certo para que os aviões de transporte de tropas C-47 Dakota lançassem os paraquedistas americanos e britânicos na madrugada do dia 5 de Junho, porém uma tempestade inesperada atingiu em cheio o Canal da Mancha. Eisenhower não viu outra saída a não ser adiar a operação por 24 horas, e torcer para que o clima conspirasse a seu favor.


Paraquedistas britânicos prontos para embarcar em seu planador e serem lançados no flanco direito das forças de desembarque anfíbias. A Missão principal desses soldados britânicos era a de segurar qualquer tropa alemã que tentasse reforçar as fortificações litorâneas e o de capturar e controlar pontes e encruzilhadas estratégicas



 General Eisenhower em pessoa (no centro da foto) conversa casualmente com paraquedistas norte-americanos, todos já equipados e prontos para serem lançados atrás das linhas inimigas, com a missão de controlar pontos estratégicos e impedir que qualquer reforço alemão chegasse ao flanco esquerdo do setor de desembarque norte-americano


Por uma jogada do destino, a chuva e o vento acalmaram. Era essa a hora. O ataque foi lançado. Uma força aérea de mais de 20 mil aeronaves (de ataque e de transporte) alçaram voo na madrugada do dia 6 de Junho e uma grande armada de aproximadamente 5 mil navios (entre esses 1240 navios pesados de guerra) transportando mais de 190 mil soldados de diferentes nacionalidades, que atacariam 5 setores (praias):

No lado esquerdo do mapa da Normandia seriam os dois setores norte-americanos, as famosas praias de Utah e Omaha. No centro e na direita do mapa da península da Normandia estaria os setores britânicos e canadense (as praias de Sword, Juno e Gold). Os Paraquedistas foram os primeiros a entrar em combate, já que estavam em terra desde a madrugada do dia 6, enquanto a armada ainda atravessava o tempestuoso Canal da Mancha.

 Paraquedistas sendo lançados sobre a Normandia

Devido à direção do vendo, às baterias antiaéreas e aos campos alagados, muitos paraquedistas perderam a vida antes mesmo de verem combate real. Estima-se que todas as divisões aerotransportadas Aliadas que atuaram no Dia D (1 divisão britânica e 2 norte-americanas, de 15 mil soldados cada) entraram em combate com apenas 10% de seu efetivo, sendo que os outros 90% estavam mortos ou desaparecidos.

O desembarque nas praias começou por volta das 6:30 da manhã (horário local). As tropas aliadas que desembarcavam contavam com muitos equipamentos pesados, como por exemplo os Tanques Shermans DD (Donald Ducks), que eram tanques médios americanos M4-Shermans especialmente modificados para atuarem como blindados anfíbios de baixa profundidade. Nas praias de Utah, Juno, Sword e Gold o desembarque foi relativamente fácil. O apoio de blindados era decisivo e não havia tanta resistência alemã nesses setores (especialmente no setor anglo-canadense).

A o setor mais sangrento com certeza foi o setor norte-americano da praia de Omaha. Nesse setor os Tanques Shermans DD foram lançados ao mar muito cedo, e muitos afundaram no Canal da Mancha antes mesmo de chegarem às praias para dar algum suporte para as tropas. Estima-se que dos 30 tanques DD destinados à Omaha, apenas dois conseguiram chegar à praia, e esses dois acabaram atolados na areia e no cascalho da praia.

Outra dificuldade enfrentada pelos norte-americanos eram os grandes penhascos que apareciam imponentes no horizonte. Penhascos que variavam de 40 a 50 metros de altura, com casamatas, bunkers de concreto e um sistema de trincheiras no alto, onde os alemães faziam chover a morte sobre os que desembarcavam na praia. 

 Praia de Utah

 Soldados norte-americanos a caminho da Praia de Omaha

 Soldados norte-americanos a caminho da Praia de Omaha

Apenas na 3ª leva de soldados norte-americanos que Omaha começaria a cair em mão Aliadas.Em termos de comparação em Omaha morreram aproximadamente 3 mil soldados norte-americanos, dos 5 mil da 1ª e 2ª levas, enquanto nos setores de Juno, Sword e Gold a média não passou dos 500-600 mortos na primeira leva. Não é a toa que a Batalha da Praia de Omaha foi imortalizada no filme de Steven Spilberg "O Resgate do Soldado Ryan".

Já na tarde do dia 6 de Junho, a frente de combate já estava bem avançada. As tropas anfíbias já haviam se ligado à algumas unidades paraquedistas e começavam a avançar Normandia a dentro. Porém os objetivos principais do 1ª Dia de invasão, as cidades de Caen, Carentan e Bayeux não foram conquistados definitivamente. 

Levaria ainda mais 3 meses para que os efeitos do desembarque na Normandia fossem se mostrar definitivos no cenário da guerra. Muita luta ainda estava pela frente até a derrocada total da Alemanha.

Bônus:

Documentário "Heróis do Dia D" do Discovery Channel.



Cena Inicial do filme "O Resgate do Soldado Ryan", de 1998, que mostram o Desembarque na Praia de Omaha



Fontes: 

O Dia D - 6 de Junho de 1944 - A Batalha Culminante da Segunda Guerra Mundial, por Stephen E. Ambrose;
O Dia D - A Batalha pela Normandia, por Antony Beevor;
Atlas da Segunda Guerra Mundial - Todos os lados em combate, por David Jordan e Andrew Wies;
O Mais Longo dos Dias, por Cornelius Rian;
As Maiores Batalhas da História, por Nigel Cawthorne;
Enciclopédia das Guerras - Conflitos mundiais através dos tempos, por Adrian Gilbert.

Matheus Santos da Silveira
Professor de História formado pela PUCPR
Especialista em História Contemporânea e Relações Internacionais