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O lado artista do Führer: 7 pinturas feitas por Adolf Hitler antes de seu envolvimento com o nazismo


Um dos elementos mais intrigantes da Segunda Guerra Mundial é o traço caricato, quase teatral, de tudo que envolvia a Alemanha Nazista, em especial seu líder supremo, o ditador Adolf Hitler. Ele dominava como poucos a capacidade de impactar, para o bem ou para o mal, o seu público. Suas aparições despertavam inspiração singular em todos presentes, seja para apaixonar seus seguidores ou amedrontar seus inimigos.

Especialistas sugerem que o caráter propagandístico transbordante no Terceiro Reich tenha forte ligação com o excessivo interesse de Hitler pelas artes. Amante das óperas de Wagner, ficionado pela simbologia nórdica e cheio de gananciosos projetos de reconstrução da Alemanha a partir uma arquitetura imponente, Adolf Hitler foi um jovem pintor paisagens em aquarelas. Ele chegou, inclusive, a tentar ingressar na Academia de Belas Artes de Viena, na Áustria, mas não foi aceito.

Antes de conferir algumas das pinturas feitas por Hitler antes de seu envolvimento com o nazismo, que tal observar alguns dos elementos que passaram pelos caprichos do ditador durante a guerra? 

É visível em diversos capítulos da história nazista detalhes milimétricos que parecem se conectar para algo maior. Podemos começar destacando a estreita ligação do Führer com o arquiteto Albert Speer, a quem ele deu o cargo de Ministro do Armamento. Grande apreciador da paisagem urbana e de belas obras arquitetônicas (isso é perceptível já em suas pinturas) Hitler confiou a Speer projetos imponentes para Berlim e toda a Alemanha ao fim da guerra. Berlim seria a "capital de um império que duraria mil anos" e suas construções fariam outras cidades europeias parecerem vilarejos: o chamado Grand Hall (na imagem abaixo) teria uma cúpula 16 vezes maior que a da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Speer também projetou uma versão do Arco do Triunfo de Paris, com cerca de 120 metros de altura (o de Paris tem 50) e teria fixado em suas paredes o nome dos 1,8 milhões de alemães mortos durante a Primeira Guerra Mundial. 

(clique nas imagens para ampliar)
Maquete do redesenho de Berlim projetada pelo arquiteto Albert Speer a pedido de Adolf Hitler. "Welthauptstadt Germania" (Germania, a Capital do Mundo), como ficou conhecido o plano, previa construções em escalas nunca antes aplicadas. Especialistas afirmam que os princípios aplicados na arquitetura nazista não pretendiam somente impressionar, mas cumpriam o papel ideológico de subjugar a individualidade humana. (Foto de 1939, Acervo Pessoal de Albert Speer).

Albert Speer apresenta a Hitler uma maquete do Pavilhão Alemão projetado para a Feira Mundial de Paris de 1937. (Arquivo Federal Alemão).


Adolf Hitler e alguns dos mais importantes oficiais do Terceiro Reich
entre eles os arquitetos Albert Speer e Arno Breker (U.S/NARA).

A valorização da propaganda chegava até mesmo a interferir nas campanhas militares do Reich. É notável a valorização de objetivos simbólicos. A Tomada de Paris, teve especial significado e foi registrada nos mínimos detalhes. Houve desfiles e foram feitas fotos com os principais nomes da Alemanha Nazista. A foto de Hitler e seus oficiais marchando com a Torre Eiffel ao fundo é uma das mais famosas da história.


Em outro momento do conflito, no front oriental, nota-se a insistência na tomada de cidades cujos nomes remetiam a seus adversários: Leningrado e Stalingrado, na União Soviética, foram palco de longas e questionáveis batalhas. O inverno russo, especialmente rigoroso naquele ano de 1942, parecia não se importar com os caprichos do Führer e interrompeu a, até o momento praticamente impecável,  campanha ofensiva alemã, permitindo a virada nos quadros da guerra em favor dos Aliados.


Mas não pense que as "intervenções" de Hitler estavam limitadas a realizações megalomaníacas. Ele se preocupava até mesmo com os uniformes dos seus oficiais. A Schutzstaffel (SS), uma espécie de "tropa de elite" nazista, teve seu fardamento desenhado por ninguém menos que o estilista Hugo Boss. 


Mas não era só nos trajes que o perfeccionismo se manifestava, ele se confundia com a própria ideologia do partido nazista. Se a valorização da beleza tinha ligação ideológica, a arte tomava uma conotação propagandística. Todos os soldados da SS passavam por avaliação de características físicas, e eram selecionados também por critérios estéticos. Isso, diga-se de passagem, é uma contradição, visto que nem mesmo o próprio Hitler ou seu mais famoso propagandista, Joseph Goebbels, estavam nos padrões estéticos nórdicos tão valorizados pelo Reich (alta estatura, cabelos loiros, corpo atlético e olhos claros).

Soldados  da "SS-Leibstandarte Adolf Hitler", responsável pela proteção pessoal do Führer, em uma inspeção em Berlim, 1938. (Arquivo Federal Alemão).

Agora que já fizemos algumas considerações sobre o "legado artístico" que Adolf Hitler trouxe para a Segunda Guerra Mundial, vamos conferir 7 de suas pinturas feitas por ele entre as décadas de 1910 e 1920. 



Mas e se Hitler tivesse se tornado pintor? A história teria sido diferente?

Historiadores garantem que os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial não foram exclusivamente dependentes da figura de um ou outro personagem histórico, mas de um contexto. O que aconteceu na Europa na primeira metade do século passado tem relação com desajustes diplomáticos seculares, antissemitismo, imperialismo e a crise do Pós-Primeira Guerra. Se não fosse Hitler, poderia ter sido diferente sim, mas não tanto. Poderia ter acontecido mais cedo ou mais tarde, poderia ter sido mais ou menos sangrento, mas a guerra não seria evitada. A Alemanha na década de 1930 era um bomba relógio e um conflito com seus adversários teria acontecido mesmo se Hitler não estivesse no comando. 


#1 - "Cartório de Registro Civil e Antiga Prefeitura de Munique" (1914)
Essa é a mais famosa obra do Hitler pintor de aquarelas. Ela foi leiloada por cerca de R$ 410 mil para um colecionador árabe. Na foto, acompanha uma nota fiscal de venda original datada de 1916. (Michael Probst/AP).

#2 - "Autorretrato" (1910)


#3 - "Maritme Noturno" (1913)


#4 - "Flores grandes e coloridas" (1912)


#5 - Teatro Nacional de Munique (1914)


#6 - "Tanque esfumaçado" (1916)


#7 - "Pátio de uma antiga residência em Munique" (1914)




Fontes: 

http://www.historytoday.com/roger-moorhouse/germania-hitlers-dream-capital
http://oglobo.globo.com/mundo/exposicao-revive-projeto-faraonico-de-hitler-para-reconstruir-berlim-14016767
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/07/1310638-fotos-privadas-de-hitler-mostram-ensaio-de-discurso.shtml
http://www.dailytelegraph.com.au/hitler-painting-fetches-32000-euros/story-fn6ccwsa-1226257320853?nk=1cf57b8b4dfc3a86a200da6ae109e88f
http://oglobo.globo.com/sociedade/historia/aquarela-pintada-por-adolf-hitler-vendida-por-410-mil-em-leilao-14635445
http://edition.cnn.com/2009/WORLD/europe/04/23/hitler.auction/index.html
http://www.museumsyndicate.com/artist.php?artist=12
http://www.dailymail.co.uk/news/article-1164780/Face-monster-Self-portrait-Hitler-painted-just-21-revealed-auction.html
http://www.telegraph.co.uk/culture/culturevideo/artvideo/11246843/Painting-by-Adolf-Hitler-expected-to-sell-for-40000.html
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/artigos/haider.htm

Bruno Henrique Brito Lopes 
Graduando em História pela Universidade Católica de Pernambuco. 

Fantasmas do Passado: a Segunda Guerra Mundial no Google Street View

Soldados nazistas em um desfile na Avenida Champs-Elysées, em Paris. Junho de 1940. (Halley Docherty/The Guardian)

Um dos elementos que faz da Segunda Guerra Mundial um tema tão fascinante é o cenário onde ocorreu a maior parte do conflito. A paisagem urbana do velho continente europeu foi palco de eventos que inspiraram grandes produções cinematográficas. Imagine andar pelas ruas europeias e se transportar para os tempos sombrios da guerra?

Foi pensando nisso que o artista britânico Halley Docherty selecionou algumas fotografias e às sobrepôs com imagens atuais. Tudo foi feito usando imagens do Google Street View. O resultado foi fantástico, confira!



Um menino se despede de seu pai, membro de um regimento canadense de partida. New Westminster, Outubro de 1940 (Halley Docherty/The Guardian).


Entrada do abrigo anti-aéreo de Balham, em Londres, parcialmente destruída após um ataque da Luftwaffe, a temida aviação nazista. Outubro de 1940 (Halley Docherty/The Guardian).

Um civil alemão observa um cartaz soviético com a imagem de Josef Stalin em Berlim, 1945 (Halley Docherty/The Guardian).


Desfile da cavalaria alemã do Arco do Triunfo para a Avenida Foch, 1940 (Halley Docherty/The Guardian).


Um garoto saúda as tropas americanas em uma parada militar no Texas, Estados Unidos. Julho de 1942.

Multidão acompanha as notícias do Dia D através de um letreiro de notícias na Times Square, Nova York, 6 de Junho de 1944 (Halley Docherty/The Guardian).


Um homem observa as ruínas causadas pela explosão de uma bomba atômica em Hiroshima, no Japão (1945). Ao fundo um dos poucos prédios que se manteve de pé, hoje ele faz parte do Parque Memoral da Paz (Halley Docherty/The Guardian). 

Soldados soviéticos reunidos no Portão de Brandemburgo, símbolo da cidade de Berlim, foto de 1945 (Halley Docherty/The Guardian).

Guindaste remove ônibus de cratera causada por um bombardei alemão no distrito de Balham, Londres. Outubro de 1940 (Halley Docherty/The Guardian).


Multidão assiste a um desfile militar após a libertação de Paris em Agosto de 1944 (Halley Docherty/The Guardian).


A ponte que conectava duas seções do Gueto de Varsóvia, separando os judeus do restante da população. Foto de 1942, um ano antes do Levante de Varsóvia (Halley Docherty/The Guardian).

Fonte:
http://www.theguardian.com/cities/gallery/2014/may/20/second-world-war-google-street-view-nazis-paris-london-blitz



Bruno Henrique Brito Lopes 
Graduando em História pela Universidade Católica de Pernambuco. 

O Mais Longo dos Dias, A Virada da Frente Ocidental - Os Desembarques da Normandia, 1944

"Soldados, Marinheiros e Pilotos das Forças Aliadas Expedicionárias: Vocês estão prestes a embarcar em uma grandiosa Cruzada, para a qual treinaram por muitos meses (...) os olhos do Mundo estão voltados para vocês. As esperanças e preces dos povos amantes da liberdade estão com vocês."

O trecho acima foi retirado do discurso escrito pelo General Eisenhower, chefe da Força Expedicionária Aliada no Ocidente, e entregue à todos os soldados, marinheiros e pilotos que participariam da maior operação anfíbia de toda a História Militar, a Operação Overlord (Suserano), mais conhecida como "O Dia D"

Soldados norte-americanos desembarcando na praia de Omaha, às 7 horas da manhã (horário local) de 6 de Junho de 1944.
 
4ª leva de soldados norte-americanos desembarcando nas praias da Normandia, para reforçar as unidades aliadas que, nesse ponto, já haviam levado a luta para além das praias.
 
O "Dia D", por alguns historiadores, é considerado o ponto alto da guerra, mostrando definitivamente que os alemães estavam na "beira do precipício", enfrentando, novamente, uma guerra em duas frentes.
 
Um plano de invasão à Europa Ocidental, transformada por Hitler na famosa "Fortaleza Europa", estava sendo planejado e desenvolvido desde fins de 1943 e início de 1944, quando as forças anglo-americanas começaram os desembarques no litoral da África (Operação Tocha) e os desembarques na Sicília e no Sul da Itália (Operação Husky), sendo essas operações consideradas "testes", já que foi a primeira vez em quem forças anglo-americanas sincronizavam operações de desembarque desde o início da guerra.

Mapa tático mostrando os pontos de desembarque das forças anglo-americanas durante a Operação Tocha - Novembro de 1942, que se finalizaria com a tomada da Tunísia em 1943.


Mapa da Sicília durante a Operação Husky, a Invasão da Itália, Julho de 1943.

Assim, com esses "testes" já provando que uma operação anfíbia em larga escala e utilizando-se várias forças militares distintas coordenadas por um Comando Central, já em 1943, logo após a conferência em Casablanca, Marrocos, foi decidido a inicialização do Plano Cossac, o Desembarque de forças aliadas na Costa ocidental da Europa, abrindo uma 2ª Frente definitiva contra os alemães, na tentativa de acabar com a guerra mais cedo e diminuir a pressão sobre o Exército Vermelho, na Frente Oriental.

A invasão da França começou a ser planejada pelo então Chefe de Equipe do Comando Supremo Aliado, General Sir Frederick Morgan, levando em conta as ações anglo-americanas no Norte da África e na Itália e também aprendendo com os erros cometidos no desastroso ataque ao porto fortificado de Dieppe, no norte da França (operação de fins de 1942, onde forças britânicas e canadenses desembarcaram em praias francesas para "testar" as defesas alemãs, e acabou sendo um desastre).


Equipamento e soldados britânicos perdidos durante o Ataque a Dieppe, Norte da França, Agosto de 1942.

O plano Cossac original foi a base para a Operação Overlord. Ele visava um ataque de duas esquadras, uma vinda diretamente dos Estados Unidos e outra dos portos ao sul da Inglaterra. Essas forças atacariam a Normandia, um dos setores mais "fracos" da Fortaleza Europa, e o desembarque nas praias teria os flancos protegidos por tropas paraquedistas britânicas e norte-americanas, que seriam jogadas atrás das linhas inimigas para controlas pontes, destruir ou capturas pontos fortes na retaguarda alemã e "atrapalhar" ao máximo que reforços alemães alcançassem as praias.

Pas-de-Calais foi rejeitado como local de desembarque pois e o ponto mais próximo do litoral da Inglaterra, levando os alemães a concentrarem a maioria de suas tropas nesse setor. A Normandia se manteve como a escolha central como teatro de operações.

 Mapa da Operação Overlord e o "caminho" que as forças aliadas tomaram após os desembarques.

Tudo corria como o planejado, com apenas algumas mudanças práticas sendo feitas no Plano Cossac original (tornando-o mais com a Operação Overlord que conhecemos hoje). A única coisa que ainda atrapalhava os planos de desembarque aliados era o Clima. O clima no Mar do Norte e no Canal da Mancha sempre foram um problema nas programações e desenvolvimentos de desembarques militares. 

Por conta do clima, a invasão fora adiada e adiada, desde Março de 1944. Por conta desses adiamentos, o perigo que espiões e aviões de reconhecimento alemães vissem o tamanho da frota e das forças terrestres que se concentravam no sul da Inglaterra fez com que o prazo final da invasão fosse jogado para Junho de 1944. Se não ocorresse em Junho, só ocorreria em 1945.

Tudo estava certo para que os aviões de transporte de tropas C-47 Dakota lançassem os paraquedistas americanos e britânicos na madrugada do dia 5 de Junho, porém uma tempestade inesperada atingiu em cheio o Canal da Mancha. Eisenhower não viu outra saída a não ser adiar a operação por 24 horas, e torcer para que o clima conspirasse a seu favor.


Paraquedistas britânicos prontos para embarcar em seu planador e serem lançados no flanco direito das forças de desembarque anfíbias. A Missão principal desses soldados britânicos era a de segurar qualquer tropa alemã que tentasse reforçar as fortificações litorâneas e o de capturar e controlar pontes e encruzilhadas estratégicas



 General Eisenhower em pessoa (no centro da foto) conversa casualmente com paraquedistas norte-americanos, todos já equipados e prontos para serem lançados atrás das linhas inimigas, com a missão de controlar pontos estratégicos e impedir que qualquer reforço alemão chegasse ao flanco esquerdo do setor de desembarque norte-americano


Por uma jogada do destino, a chuva e o vento acalmaram. Era essa a hora. O ataque foi lançado. Uma força aérea de mais de 20 mil aeronaves (de ataque e de transporte) alçaram voo na madrugada do dia 6 de Junho e uma grande armada de aproximadamente 5 mil navios (entre esses 1240 navios pesados de guerra) transportando mais de 190 mil soldados de diferentes nacionalidades, que atacariam 5 setores (praias):

No lado esquerdo do mapa da Normandia seriam os dois setores norte-americanos, as famosas praias de Utah e Omaha. No centro e na direita do mapa da península da Normandia estaria os setores britânicos e canadense (as praias de Sword, Juno e Gold). Os Paraquedistas foram os primeiros a entrar em combate, já que estavam em terra desde a madrugada do dia 6, enquanto a armada ainda atravessava o tempestuoso Canal da Mancha.

 Paraquedistas sendo lançados sobre a Normandia

Devido à direção do vendo, às baterias antiaéreas e aos campos alagados, muitos paraquedistas perderam a vida antes mesmo de verem combate real. Estima-se que todas as divisões aerotransportadas Aliadas que atuaram no Dia D (1 divisão britânica e 2 norte-americanas, de 15 mil soldados cada) entraram em combate com apenas 10% de seu efetivo, sendo que os outros 90% estavam mortos ou desaparecidos.

O desembarque nas praias começou por volta das 6:30 da manhã (horário local). As tropas aliadas que desembarcavam contavam com muitos equipamentos pesados, como por exemplo os Tanques Shermans DD (Donald Ducks), que eram tanques médios americanos M4-Shermans especialmente modificados para atuarem como blindados anfíbios de baixa profundidade. Nas praias de Utah, Juno, Sword e Gold o desembarque foi relativamente fácil. O apoio de blindados era decisivo e não havia tanta resistência alemã nesses setores (especialmente no setor anglo-canadense).

A o setor mais sangrento com certeza foi o setor norte-americano da praia de Omaha. Nesse setor os Tanques Shermans DD foram lançados ao mar muito cedo, e muitos afundaram no Canal da Mancha antes mesmo de chegarem às praias para dar algum suporte para as tropas. Estima-se que dos 30 tanques DD destinados à Omaha, apenas dois conseguiram chegar à praia, e esses dois acabaram atolados na areia e no cascalho da praia.

Outra dificuldade enfrentada pelos norte-americanos eram os grandes penhascos que apareciam imponentes no horizonte. Penhascos que variavam de 40 a 50 metros de altura, com casamatas, bunkers de concreto e um sistema de trincheiras no alto, onde os alemães faziam chover a morte sobre os que desembarcavam na praia. 

 Praia de Utah

 Soldados norte-americanos a caminho da Praia de Omaha

 Soldados norte-americanos a caminho da Praia de Omaha

Apenas na 3ª leva de soldados norte-americanos que Omaha começaria a cair em mão Aliadas.Em termos de comparação em Omaha morreram aproximadamente 3 mil soldados norte-americanos, dos 5 mil da 1ª e 2ª levas, enquanto nos setores de Juno, Sword e Gold a média não passou dos 500-600 mortos na primeira leva. Não é a toa que a Batalha da Praia de Omaha foi imortalizada no filme de Steven Spilberg "O Resgate do Soldado Ryan".

Já na tarde do dia 6 de Junho, a frente de combate já estava bem avançada. As tropas anfíbias já haviam se ligado à algumas unidades paraquedistas e começavam a avançar Normandia a dentro. Porém os objetivos principais do 1ª Dia de invasão, as cidades de Caen, Carentan e Bayeux não foram conquistados definitivamente. 

Levaria ainda mais 3 meses para que os efeitos do desembarque na Normandia fossem se mostrar definitivos no cenário da guerra. Muita luta ainda estava pela frente até a derrocada total da Alemanha.

Bônus:

Documentário "Heróis do Dia D" do Discovery Channel.



Cena Inicial do filme "O Resgate do Soldado Ryan", de 1998, que mostram o Desembarque na Praia de Omaha



Fontes: 

O Dia D - 6 de Junho de 1944 - A Batalha Culminante da Segunda Guerra Mundial, por Stephen E. Ambrose;
O Dia D - A Batalha pela Normandia, por Antony Beevor;
Atlas da Segunda Guerra Mundial - Todos os lados em combate, por David Jordan e Andrew Wies;
O Mais Longo dos Dias, por Cornelius Rian;
As Maiores Batalhas da História, por Nigel Cawthorne;
Enciclopédia das Guerras - Conflitos mundiais através dos tempos, por Adrian Gilbert.

Matheus Santos da Silveira
Professor de História formado pela PUCPR
Especialista em História Contemporânea e Relações Internacionais

Entenda a verdade: 15 Fotos e 10 Fatos sobre o Holocausto





Dormitório coletivo de judeus em campo de concentração polonês, 1943.

Quando Adolf Hitler assumiu o comando da Alemanha em 1933, aquele país iniciou a institucionalização de uma ideologia mortífera. Se por um lado a repulsa aos judeus e outras categorias já existia na Europa há séculos, seria inédita a postura assumida pelo governo para lidar com essa situação. Sustentados por um pensamento pseudo-científico conhecido como darwinismo social, os nazistas perseguiram e executaram milhões de civis em um episódio que ficou conhecido como Holocausto.

Apesar do tema ser exaustivamente trabalhado, as dúvidas a seu respeito são numerosas. Boa parte do que se "sabe" sobre o holocausto é baseado em filmes que às vezes partem para o apelo emocional, fugindo à realidade. No campo científico os estudiosos acabam sendo mais cuidadosos com números e análises.

Este artigo reúne alguns dos principais fatos sobre a perseguição e extermínio massivo de milhões de pessoas. Afinal, quem, quando e quantos foram atingidos? Quem foi o responsável e quais suas motivações? Existe algum nível de exagero ou distorção da verdade? Leia essas respostas e veja fotografias que poderão contextualizar melhor este tema.

(clique nas imagens para ampliar)

1 - O Holocausto era sustentado por uma pseudo-ciência
Uma pseudo-ciência que chegou a ser lecionada em universidades está diretamente ligada às práticas desumanas aplicadas durante o Holocausto: a Eugenia. Seu principal objetivo era desenvolver maneiras de manipular e otimizar a evolução humana de acordo com os princípios darwinistas aplicados à humanidade (darwinismo social). Na prática se tornou terreno para legitimar o racismo e defender práticas extremamente polêmicas, como a esterilização e extermínio de grupos genéticos inteiros. Por questões que envolvem ética e a prova da inexistência de diferentes raças humanas, a eugenia já não é mais considerada uma ciência, entretanto ainda nos dias de hoje é possível observar a aplicação e defesa de seus princípios principalmente em países europeus.

Soldado nazista ridiculariza os cabelos do jovem e aflito judeu polonês. Observe que ele carrega uma tesoura na mão esquerda.

2 - O Holocausto começou antes da Segunda Guerra Mundial
Desde o começo da década de 1930, quando os nazistas chegaram ao poder, começaram a surgir diversas leis de cunho racista que visavam limitar os direitos dos judeus, as novas regras proibiam desde a realização de casamentos entre judeus e arianos até mesmo a frequentar locais públicos (inclusive hospitais). Pode parecer estranho imaginar que a comunidade internacional conviveu com isso por anos, mas esta é a realidade. Enquanto os judeus mais ricos simplesmente fugiram para outros países, os mais pobres ficaram até o cerco se fechar.

Sinagoga completamente destruída durante a Noite dos Cristais (Kristallnacht), Dortmund, Alemanha, 1938. A Noite dos Cristais foi uma onda de violência antissemita ocorrida após o assassinato de um embaixador alemão por um judeu na França. Praticamente sem qualquer interferência da polícia ou corpo de bombeiros, cidadão alemães enfurecidos destruíram templos e saquearam lojas em um episódio que resultou na morte de dezenas de judeus em toda a Alemanha. O nome Noite dos Cristais faz referência ao grande número de vidraças (das lojas judaicas) quebradas pela população naquela madrugada.

3 - O Holocausto não se resumiu aos judeus
Não há dúvidas que o povo mais perseguido pela Alemanha Nazista foi o judeu, mas não foram somente eles que sofreram perseguições, prisões e execuções sumárias. Entre os indesejáveis do Terceiro Reich também figuravam outros grupos étnicos não-arianos, como os ciganos e eslavos. Outras categorias como aleijados, homossexuais e inimigos políticos (comunistas, anarquistas, testemunhas de jeová, etc...) também acabaram em campos de concentração.

Prisioneiro britânico frente a Heinrich Himmler, um dos grandes idealizadores do Holocausto.

4 - Muitos prisioneiros foram usados como cobaias para experimentos médicos
O uso de cobaias humanas hoje em dia é algo extremamente delicado e sua discussão sobre questões éticas acaba impondo limites às realizações de determinados testes. No contexto do holocausto alguns médicos nazistas realizaram experiências mortíferas que envolviam homens, mulheres e até mesmo bebês. O principal responsável por essas experiências foi Josef Mengele, conhecido como O Anjo da Morte, médico chefe do temido campo de extermínio Auschwitz-Birkenau. Fontes indicam o uso de milhares de prisioneiros em experiências quase sempre fatais, e quando a vítima sobrevivia, era executada para uma análise de seu cadáver. Entre as experiências realizadas podemos citar: exposição à radiação, congelamento, consumo exclusivo de água do mar e até mesmo dissecação de vivos para observar a evolução de doenças e infecções.

Crianças ciganas em estágio avançado de desnutrição. Elas foram usadas como cobaias em experimentos médicos em Auschwitz, Polônia, 1943.

5 - A política de perseguição evoluiu gradualmente para um sistema de extermínio em proporções industriais
Como já foi dito anteriormente, a perseguição começou de fato com a imposição de leis limitadoras cada vez mais incômodas. Os judeus foram afastados de todos os cargos públicos, suas crianças foram expulsas das escolas e se criaram instituições para expulsá-los do território alemão. Com o início da Segunda Guerra os cuidados para maquiar o anti-semitismo para a comunidade internacional cessaram, judeus agora eram obrigados a andar com uma estrela de identificação, gradualmente foram forçados a habitar regiões segregadas (os chamados guetos) onde faltava tudo, desde moradias suficientes até alimentação e ofertas de trabalho. Quando o conflito mostrou maiores dificuldades para a vitória nazista, entrava em cena a chamada Solução Final: prisioneiros eram levados para campos de extermínio, verdadeiras "fábricas de morte" movidas a envenenamento com um gás pesticida chamado Zyklon B. 

Essa é uma das imagens mais conhecidas quando o assunto é Holocausto. Se trata de um grupo de judeus rendidos após uma revolta no Gueto de Varsóvia, 1943.

Trem lotado de judeus a caminho de Auschwitz, 1942.

As paredes arranhadas transmitem o desespero de dentro de uma câmara de gás de Auschwitz.

Pilha de óculos de prisioneiros confiscados pelos nazistas em Auschwitz, foto de 1945.

6 - A propaganda sobre o Holocausto foi muito explorada na Segunda Guerra Mundial
Ao longo do conflito os rumores sobre o que os nazistas faziam com seus inimigos foram explorados ao máximo. Por anos essas informações eram vistas com muita desconfiança. Do lado nazista a mensagem que se passava era que os prisioneiros estavam em lugares agradáveis e o ódio antissemita só aumentava uma vez que a evolução da guerra deixou claro que a derrota seria inevitável. Do lado dos aliados se explorou o Holocausto como forma de convocar países em um esforço contra as atrocidades do eixo. O excesso de simbolismo usado pelo Terceiro Reich facilitava a propaganda: imensas bandeiras, suásticas, runas e a liderança caricata de Adolf Hitler despertavam emoções intensas que variavam entre amor e ódio.

Judeu desnutrido se esforça para se manter de pé no campo de concentração de Buchenwald, na Alemanha, 1944.

7 - Apesar das denúncias e forte propaganda, a libertação dos prisioneiros não era prioridade dos Aliados
Uma contradição amarga a ser lembrada é que os Aliados não direcionaram o esforço de guerra para a liberação dos judeus. Ao invés disso, se observou uma corrida pela aniquilação do Estado Nazista. Isso remete às divergências nos interesses políticos das duas partes que formaram as Potências Aliadas, o único elemento que ligava a União Soviética ao ocidente era o inimigo em comum (Hitler), no mais, eles eram adversários. Sendo o rápido avanço soviético no front oriental uma forte ameaça da dominação comunista no continente europeu.

Judeu encarregado de distribuir braçadeiras com a Estrela de Davi. A lei nazista exigia que o judeu se identificasse com esse símbolo.

8 - Nem todos os aliados de Hitler colaboraram com o Holocausto
Entre civis, diplomatas e até mesmo governantes, vale lembrar que nem todos aqueles que estavam alinhados com os interesses do Eixo ofereceram cumplicidade no Holocausto. Diferentemente de países como a Itália Fascista e a França Colaboracionista, que aplicaram leis antissemitas e deportaram seus cidadãos para campos de extermínio, houve casos de gente que ofereceu resistência e até se arriscou para salvar alguns judeus. A título de exemplo, diplomatas de diversos países como Portugal e Espanha abrigaram judeus e outras minorias em suas embaixadas. No caso da Espanha foi notável a maior resistência em entregar judeus, mas descobertas recentes evidenciaram que o ditador fascista Francisco Franco (ao contrário do que ele disse à comunidade internacional) entregou cerca de 6 mil judeus para Hitler.

Judeus em Berlim caminham com a Estrela de Davi costurada em suas roupas, 1941.

Vista da entrada de Auschwitz - Birkenau, o principal campo de extermínio nazista, lugar onde morreram mais de um milhão de vítimas do Holocausto.

9 - A população alemã em geral não sabia exatamente o que se passava nos campos de concentração
A demonização da ideologia nazista é um tema extremamente delicado quando lembramos que Hitler chegou ao poder de forma democrática e boa parte da população da Alemanha aprovava calorosamente o regime. De fato o racismo era algo presente naquela nação, mas isso não significa muita coisa: se você observar com cautela os principais jornais circulantes na Inglaterra e Estados Unidos naquele período, vai perceber que o racismo e a segregação também existia nesses países. Apesar de haver casos de violência explícita contra judeus por parte de civis alemães, as atrocidades cometidas nos campos de concentração eram mantidas em sigilo pelo alto comando nazista.

Jovem alemã se assusta ao ver os corpos exumados das vítimas do Holocausto. Os Aliados chegaram a desenterrar centenas de cadáveres para obrigar a população a encará-los em troca de comida, Namering, Alemanha, Maio de 1945.

10 - Os dois lados da guerra tentaram distorcer o Holocausto
Quando se fala em Holocausto é comum remeter às grandes produções cinematográficas a respeito. Isso é grave, precisamos contextualizar o evento e o momento de sua revelação ao mundo: com o fim da Segunda Guerra Mundial a descoberta dos campos de concentração aqueceu o desejo de estabelecer uma pátria para os judeus, assim, se procurou potencializar o episódio com diversos artifícios. Muitas fotografias tiveram um cenário forjado, soldados recolheram e empilharam corpos, prisioneiros doentes foram selecionados a dedo para compor imagens chocantes.

Entendida a posição Aliada, deve-se observar com ainda mais atenção a postura dos chamados revisionistas. Entre estudiosos e completos leigos, eles utilizam fontes duvidosas para questionar uma das atrocidades mais bem documentadas da história. Eles são impulsionados por pensamentos simpáticos ao nazismo ou ódio religioso relacionado aos conflitos com a formação do Estado de Israel e a população palestina. O xiita Mahmoud Ahmadinejad, atual presidente do Irã, em uma declaração pública chamou o Holocausto de "mito", posicionamento comum entre os islâmicos mais radicais. A revisão da história, quando feita com seriedade, é um papel muito importante para desconstruir certas ilusões. A necessidade de reanalisar o Holocausto não seria de tamanha polêmica se dezenas de países não considerassem crime a sua prática, atitude gravíssima, uma vez que não existe tema histórico de veracidade incontestável.

Prisioneiros do campo de concentração de Buchenwald, Março de 1945.

Algumas fontes:

Bruno Henrique Brito Lopes 
Graduando em História pela Universidade Católica de Pernambuco.